sexta-feira, 29 de novembro de 2013

POR ONDE ANDAM?

Encontrei um amigo na rua uma vez. Eram dez horas da noite. Eu estava chegando em casa. Quando desci do ônibus, foi impossível não reconhecer aquelas costas largas que dançaram para mim quando fiz 15 anos. 
Havia me esquecido que ele morava tão perto de casa. Me esqueci de muitas coisas. 
Mas quando vi ele entrando em casa, depois do que provavelmente foi um dia cansativo de trabalho, algo mexeu comigo. Gostaria de saber por onde andam todos aqueles meus amigos do auge da adolescência. 
Aposto que, lendo isso, qualquer um pense que tenho uns trinta anos. Na verdade tenho apenas dezoito, mas senti, pela primeira vez, a minha infância ir embora junto com todos aqueles que fizeram parte dela. Minha infância foi viver a vida dela.
Paro pra pensar em todo o caminho que eu fiz desde então. Me pergunto qual caminho cada um escolheu. Será que estão felizes? Que sentem a minha falta? Eu sinto a falta de cada um.
Por onde andam meus velhos amigos?

Para onde foram?

Nada melhor que compartilhar seus sucessos com as pessoas que te fazem feliz e torcem por você. O dia do resultados dos vestibulares eram só alegria. Cada um daquela grande família seguiria o caminho do sucesso. 
Mas o sucesso exige dedicação e responsabilidade. Novos caminhos apresentam outros caminhos, outras pessoas, outras ideias. O amadurecimento te afasta do antes e te inspira o depois. 
Eu não sei dizer pra onde foi cada um dos personagens dessa história, uns foram viver de arte, outros se apressaram em ser alguém em uma empresa. Faculdades, cursos técnicos, empregos, relacionamentos sérios.
As redes sociais alimentam uma impressão de que todos estiveram sempre ali. 
Mas logo vem a saudade, ou, para alguns, o esquecimento.
Até que alguém se pergunta: Para onde foram meus amigos?
Um ou outro se encontram na rua: "Soube de fulana? Teve um filho" "Mas tão jovem?" .
Nesse momento começamos a entender nossos pais. Ficaremos iguaizinhos a eles. 
Para onde foram as pessoas que amei? Para onde foram as pessoas que me faziam rir? Para onde foram? Para onde eu fui?

A festa

Uma festa boa de verdade começa a causar movimentações seis meses antes de seu acontecimento. Todos começam a se preparar e a ansiar por ela. Uma festa boa aproxima as pessoa durante o seu preparo.
Uma das garotas seria a primeira a fazer 15 anos. Surge então a ideia de o grupo todo dançar uma coreografia ensaiada na festa de debutante.
A música era "The time of my life" tema do filme "Darty Dancing". Se reuniam sempre aos domingos e era diversão garantida. Comida também.
Dançavam, cantavam, brincavam, era muito bom.
Ensaiavam também uma música para os meninos brincarem um pouco durante a festa, eles "soltavam a franga" e era muito engraçado.
Ao mesmo tempo a sombra da responsabilidade batia a porta desse grupo. Alguns pensavam no vestibular, outros no vestibulinho para o curso técnico. Estudavam bastante, mas ainda não viam com clareza o destino que se aproximava.
Os encontros se tornavam algo esperado. Estudavam a semana inteira esperando pelo domingo em que veriam seus amigos, curtiriam a juventude e construiriam lembranças de uma adolescência bem aproveitada.
No dia da festa tudo era só alegria. O esforço de meses valeu a pena. Todos se divertiram e se sentiram realizados. Principalmente a aniversariante, que chorou a ver todos os seus amigos ali reunidos por ela durante seis meses.
No outro dia ninguém queria acreditar que acabou.

De onde vieram?

A história começa com uma garota, duas ou três, tentando se encontrar em um lugar onde todos pensam diferente. Mas em determinado instante da vida encontram pessoas em que a diferença não atrapalha, mas sim acrescenta. E se forma ai um grupo de amigas.
No começo eram só três garotas, mas suas risadas contagiantes e as fotos dos "rolês" nas redes sociais começam a despertar interesses de outros perdidos no mundo. Todos querem caber naquele grupo de gente estranha. Entra uma, duas e três. E aí não eram três, eram seis meninas enlouquecidas vivendo momentos inesquecíveis enquanto a vida não exigia nada mais que a lição de casa.
Eram dias de diversão e descobertas.Eram desde conversas sobre o garoto mais bonito da escola até uma discussão filosófica sobre os efeitos da revolução francesa nos dias atuais.
As seis amigas sonhavam alto, faziam planos pro futuro e lutavam para que seus planos descem certo e talvez tenha sido isso que fez com que essa história tivesse o rumo que teve.
As garotas cresceram, queriam ser amadas, queriam ser queridas. Uma arranja um namorado. Oh! E agora? Isso era novidade no grupo delas. Mas a surpresa maior, o namorado era amigo de infância de outra delas, moravam no mesmo bairro. Foi ai que a coisa começou a ficar divertida.
Agora tínhamos não só um grupo de amigas, mas um grupo de amigas em que uma delas namorava um garoto que tinha um grupo de amigos e todos saiam juntos para a diversão.
E como se o grupo já não tivesse bom o suficiente a amiga que namora decide apresentar uns amigos para as amigas. Resultado: Mais um casal se forma, mais um grupo de amigos.
Agora não temos só um grupo de amigas com um grupo de amigos, mas um grupo misturado com muita gente que vinham de vários lugares, onde todo mundo conhece todo mundo e em cada encontro alguém traz alguém diferente.
Agora não era uma garota, duas ou três, eram quase uma família de gente estranha tentando se encontrar.